30/01/2008 17h15
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Quando o carnaval chegar...

Rosa Pena

 

Há quanto tempo desejo seu beijo
molhado de maracujá
tou me guardando pra quando o carnaval chegar”

 

Chico Buarque

 


Buraco para dois, leito sem roupa, incenso de capim sem senso. Um sopro manso, um céu que se deita no mar. Livros novos, que não serão lidos, um vinho branco que fica tinto ao nos olhar, línguas perdidas em bocas, um samba que não obedece ao enredo improviso flores mal-educadas que nascem sem pedir licença, vagabundos feitos sob medida graças a Deus risada vitoriosa, um sol assustado ao perceber que não vimos que trocou de lado, três dias de menstruação amorosa folia de rei e rainha fósforo aceso perto da palha: —Fogo!!! 

Afinal, quarta-feira não é de cinzas?  Que o braseiro fique lotado delas.


 

Midi/Quando o carnaval chegar/Chico Buarque


Publicado por Rosa Pena em 30/01/2008 às 17h15
 
27/01/2008 17h33
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Para não dizer que não falei da Rosa

 

Charlyane Mirielle

 

para Rosa Pena



Amo teu jeito moleca travessa
E este olhar luz de alegria...
Gosto desta tua euforia,
me tonteando a cabeça.

Gosto de tua liberdade, mulher!
Que tem sempre um sorriso aberto
Que demonstra o coração liberto
Pra encarar o que der e vier.

Gosto desta leveza menina
E da força que teu nome passa
Gosto da garra e da graça
Que encanta, seduz  e ensina...

Ah, este teu jeito, criança!
Com jeito de Estrela Senhora.
Mostra que o Amanhã é  Agora
Escrito no Ontem da tua Esperança...

 

janeiro de 2008

 

 


Publicado por Rosa Pena em 27/01/2008 às 17h33
 
15/01/2008 18h26
Possuída pela novela global

*Dorgival é corno!


Rosa Pena


 


Se você  colocou


bicarbonato na frieira,


pensou que quarta era


sexta-feira,


apertou o volume,


para aumentar a legenda,


misturou os cadernos do jornal,


perdeu o calibre e a mira


anda cansado de dar pena...


Não se irrite!


Entrou na idade


de tomar vacina pra gripe.


Mas se antena!


Sempre existe uma Alzira


para um Juvenal.


 


 


*Dorgival é marido da Alzira


 


Publicado por Rosa Pena em 15/01/2008 às 18h26
 
09/01/2008 12h35
Entro apressada e com muita fome na confeitaria./ texto DE ROSA PENA/ISTO É VIRTUAL
Isto é virtual?
Rosa Pena

Entro apressada e com muita fome na confeitaria. Escolho uma mesa bem afastada do movimento, pois quero aproveitar a folga para comer e passar um e-mail urgente para meu editor.
Peço uma porção de fritas, um sanduíche de rosbife e um suco de laranja.
Abro o laptop.
Levo um susto com aquela voz baixinha atrás de mim.
— Tia, dá um trocado?
— Não tenho, menino.
— Só uma moedinha para comprar um pão.
— Está bem, compro um para você.
Minha caixa de entrada está lotada de e-mails. Fico distraída vendo as poesias, as formatações lindas. Ah! Essa música me leva a Londres.
— Tia, pede para colocar margarina e queijo também.
Percebo que o menino tinha ficado ali.
— Ok, vou pedir, mas depois me deixa trabalhar. Estou ocupadíssima.
Chega minha refeição e junto com ela meu constrangimento.
Faço o pedido do guri, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto “ir à luta”. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer sim.
Digo que está tudo bem, que o deixe ficar e traga o pedido do menino.
— Tia, você tem internet?
— Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.
— O que é internet?
— É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar. Tem de tudo no mundo virtual.
— E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, na certeza de que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha deliciosa refeição, sem culpas.
— Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer, criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que ele fosse.
— Legal isso. Adoro!
— Menino, você entendeu o que é virtual?
— Sim, também vivo neste mundo virtual.
— Nossa! Você tem computador?
— Não, mas meu mundo também é desse jeito...virtual.
Minha mãe trabalha, fica o dia todo fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que chora de fome e eu dou água para ele imaginar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, ceia de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia.
Isso é virtual, não é tia?


ps: Esta crônica consta de meu livro preTextos, editora all print.Registrada na biblioteca nacional desde junho de 2003,circula na net com autoria desconhecida.


Rosa Pena
Publicada anteriormente em: 21/11/04 • Leituras: 2793 • Comentários:84

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OBS: Deixei a data em que foi publicada esta crônica no site Recanto e o ps que eu já tinha posto. Ela está em 12 sites desde março de 2004, em  impressos no papel.
Utopia minha, mas sempre sonharei com um mundo mais justo, onde filhos possuam pais e prosas & poesias... Autorias.
Obrigada a quem divulgar minha autoria.

Rosa Pena

Publicado por Rosa Pena em 09/01/2008 às 12h35
 
06/01/2008 23h33
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Uma flor chamada Lílian

Rosa Pena

para Lílian Maial

 

04/01/2008

 

Há em mim algumas certezas e muitas ânsias. Quero um tanto de serenidade: nem muito, nem pouco. Nem tanto a ponto de só querer raízes fortes enterradas, imóveis a qualquer tempo, nem a fragilidade dos finos caules que tombam a qualquer vento. Não quero o permanente banal, nem quero o formidável para sempre. Quero o fogo que transforma, quero a água fresca e mansa que acalma, pois mora em mim a inquietude de um formigueiro, mas também habita em mim a cigarra “trovadora”.
Quero acima de tudo sentir que, entre ciência que me fez médica e a inconsciência que me fez poeta, ainda existem corações que num eletro acusam que amar uns aos outros nunca foi em vão.
Que venham transplantes de safenas cobertas de ternuras para almas nanicas.

Fernando Pessoa já dizia que tudo vale a pena, quando elas não são pequenas.

 

 


Publicado por Rosa Pena em 06/01/2008 às 23h33



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