Sem ideologia 
Rosa Pena


Há certos fatos que são indiscutíveis, imponderáveis, inaceitáveis. São verdadeiros absurdos e ponto final. 
Poderia citar muitos fatos passados, presentes e futuros (com certeza), mas, eles dariam margem à retirada do meu ponto final acima. Preciso colocar pontos finais, ou quem finaliza sou eu.

Pinochet obrigar os índios à solidão, Trump ser eleito, palestinos e judeus em guerras intermináveis, importação de café para a terra do próprio, bombas jogadas em civis, matar uma roseira e não usar sequer a rosa como enfeite. Intermináveis episódios que levariam tantas folhas para contá-los que existem e existirão. Citei algumas injúrias depois de ter dito ponto final acima. Mania de brasileiro que se desdiz, que esquece rápido. Enfim, é impressionante como se discute o cunho político social econômico de se exterminar a Terra do universo. Justificativas são arranjadas para pichar o planeta de preto, até porque dizer que o planeta é azul é mentira de sonhador. Tenho pensado nisso. Em atos que comprovadamente são fruto de total insanidade e são chamados de ideais. Lembrei-me das crianças russas sequestradas e torturadas na escola de Beslan em 2004. 
Já virou passado? Em nome de que ideologia se obriga uma menininha de três aninhos a beber sua própria urina para não morrer de sede? Este fato isolado valida alguma causa política ou é total insanidade? O que os políticos fazem com o Brasil perante a expectativa de milhões de brasileiros é demência, e não existe pena para os crimes hediondos, pois tirar o pão e o teto de crianças é genocídio. Por que estou escrevendo isso, depois de tanto tempo com a humanidade tomando bombas diariamente, quando tudo banalizou, ainda mais na Internet onde o anteontem já era? Porque o meu lirismo anda ameaçado. Ando achando que em nome de alguma coisa inominável, meus versos terão que tomar seu próprio xixi, para não secarem. O Brasil está irremediavelmente desvairado. Não adianta mais ganhar Copa do Mundo diante dessa violência, essa incivilidade, essas barbáries praticadas, essa regressão civilizatória, essa roubalheira sistêmica, esse conjunto infinito de ladrões...é nos fazer comer merda diariamente. Nem campeão digere bosta. 

Minha escrita nasceu negra, judia, homossexual, cigana muçulmana em Beslan. Refazendo: Minha escrita nasceu no Brasil, é índia, sobreviveu às invasões, à ditadura, ao salário de fome, a violência cotidiana, mas está morrendo diante dessa lama que assolou meu país. Alô, alô! Aqui quem fala é uma terráquea. “Ideologia eu quero uma para viver”, pois os meus inimigos estão no poder e não saem com lavagem alguma. 

A lua ainda muda de fases, ou está sempre cheia de propina?
Operação eclipse total.

 
Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 23/05/2017

Música: roda viva - chico buarque

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