Uma idiota contente
 
Rosa Pena
 
 
 
— Traga um caldinho de feijão, mas com a cachaça separada.
Começo a despedida 2016 eu vou partir para as promessas!
Prometo zerar o meu QI, portanto não me incomodarei se o Sergio Cabral Filho virar presidente pelo PIC (partido dos idiotas contentes), afinal dá Ipobe ser preso, como também comprarei o CD da dupla Garotinho & Rosinha se eles gravarem, afinal governadores podem virar cantores, escritores, aliás, a Claudia Cruz deveria escrever um livro: As Abelhas gélidas (contra os Marimbondos de Fogo), lançar na Bienal, e depois virar ministra pelo PENS( porra eu nada sei)


Pelejarei para que o Romário venha a ser Ministro da Cultura, acho que ele jogou muito e quem sabe não faz mudança na lei Rouanet para que se dedique apenas a cultura futebolística. Dedicar-me-ei a estudar mais a nossa língua e se não fi-lo até agora, errei pra cacete. Ai! Baixei o nível, falta de hábito, no lugar do cacete leia descabidamente. Não falo mais palavrão. Serei uma escriba res_peitada. Agora todo mundo que escreve lindo usa esse tracinho na escrita. Peitada separada de res, significa respeito acompanhado de silicone.
 
Na virada, vestirei um branco de plebéia para ouvir o Rei de azul e chorar rios como o Javari, Purus, Madeira, Tapajós, Xingu (afluentes da esquerda), pela ida desse aninho filho da mundana. Essas datas foram feitas para debulhar-se em lágrimas comendo nozes, jogar tâmaras pela janela (viva meu sobrinho) e criar um climão de despedida e saudade. Inculto é que ri com a boca cheia de rabanada.

Não soltarei mais minhas sonoras gargalhadas, serei enigmática e problemática, como manda a cultura atual. 

Desisto de tentar fazer uma crônica ajuizada de final de ano. Essa droga ficará como esboço guardado, como tantos cérebros ajuizados já me avisaram: — Guarda o que escreve, não publica o que lhe vem na cabeça. Isto virou um bloqueio de uns meses pra cá, depois que percebi que escritores sofrem de bullings em sites , perdi a espontaneidade de escrever minhas abobrinhas diante desse mundo tão sério, tão correto, onde fazem até leis para proibir o gerúndio e soltar traficante e assim por diante.
 
— A senhora tomou só a cachaça, o caldinho não estava bom?
— Nem provei, ficou esquecido junto com as promessas que acabei de escrever. Sou uma besta que escreve um monte de asneiras, que acabam virando rascunhos. Mas a vida não é um eterno debuxo que só se completa com a morte?

— Está de porre?
— Não, apenas me dispersei pensando no Ferreira Gullar.
"O homem, invenção de si mesmo”. Vou me reinventar em 2017. Uma idiota contente.

(refeito)
Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 17/11/2016
Alterado em 17/11/2016

Música: maracangalha - dorival caymmi

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