29/11/2007 14h27
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Quando nossa segunda pele é poesia



A gente se veste dela para apaziguar o apetite de comer a lua, para dizer um tchau sorridente ao sol que se finda mais cedo, para brindar o cheiro que exala dos cabelos de algum apego, para gritar as frases não ditas, impróprias para uma platéia de crachá que avisa que a vida é feita de tristezas antigas, de desistência e cansaço, para pintar o rosto com as cores de algum sorriso esquecido embaixo da cama, coberta com o lençol do pé no chão, para desamarrar o cadarço do sapato da razão e sentir a umidade da terra que fecunda a ilusão de que nada foi em vão, para tecer com o canto dos colibris a gravata que sufoca a voz que tenta gritar:

— Não se perca do amor, pois na poesia todo e qualquer dia a gente pode reinventar essa sublime emoção. 


Rosa Pena para Luiz Poeta


Publicado por Rosa Pena em 29/11/2007 às 14h27





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